domingo, 7 de dezembro de 2008

Empresas investem em produtos ecológicos

O texto abaixo é do programa Pequenas Empresasa, Grandes Negócios da Rede Globo, que foi ao ar no domingo, 07/12/08. Para ver o programa na internet clique nesse link:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM921413-7823-SAIBA%20COMO%20GARRAFAS%20PET%20SÃO%20TRANSFORMADAS%20EM%20BOLSAS%20E%20CALÇADOS,00.html

Garrafas Pet são transformadas em tecido para bolsas e calçados. A mamona é a matéria-prima para a fabricação de um fluido de corte usado em retíficas.
Além de ajudar o meio ambiente, os produtos ecologicamente corretos têm uma clientela cada vez maior. Em todo o país, o Sebrae ajuda pequenas empresas a transformarem boas idéias em negócios lucrativos.
“A questão da inovação do produto, da inovação tecnológica, ela é fundamental para distinguir novas empresas para que ela possa competir num ambiente globalizado de maneira efetiva competindo, inclusive, com outras empresas, com outros produtos similares no mundo e não só a nível de Brasil”, afirma Antonio Carlos de Aguiar Ribeiro, do Sebrae de São Paulo.
Em Piracicaba, no interior de São Paulo, o empresário Gustavo Lucchesi lucra com um produto ecologicamente correto. Ele trocou o petróleo pela mamona. O vegetal é à base de um novo tipo de fluido de corte para retificação.
“Um fluido de corte é um tipo de lubrificante e ao mesmo tempo refrigerante envolvido no processo de corte de ferramentas especiais em metais”, diz o empresário Gustavo Lucchesi.
O fluido à base de mamona foi lançado em maio e já é testado em várias indústrias de São Paulo. São produzidos de 3 a 5 mil litros por semana. O produto não agride a natureza ao ser descartado.
“Ele não é tóxico, ele é 100% biodegradável, a facilidade de manuseio dele por ele não ter cheiro, ele não ataca a pele dos operadores”, explica Gustavo.
A escola do Senai, na cidade, comprou o produto. O fluido de corte é colocado no torno computadorizado. Ele lubrifica e esfria a ferramenta de corte que produz as peças. Dois mil alunos usam o produto.
“Ele não oxida a peça. A ferramenta tem muito menos desgaste com esse tipo de produto do que outros produtos similares”, diz o professor Umberto Fernando Marson.
No Rio de Janeiro uma empresa também aposta no diferencial para conquistar mercado. Os calçados e bolsas parecem feitos com tecido normal. Mas a matéria-prima é garrafa Pet reciclada. Idéia da empresária Rita Simpson.
“Eu acho que o que é inovador é o que chama atenção das pessoas”, diz a Rita Simpson.
Metade das três bilhões de garrafas Pet produzidas, por ano, no Brasil é reciclada. O resto é descartado em lixões e polui rios e lagos. Uma solução para o problema é transformar as sobras em tecido.A matéria-prima dos calçados e bolsas é fabricada no Rio Grande do Sul. A garrafa Pet é cortada e os fios são misturados com juta e sobras de algodão orgânico. São necessárias 20 garrafas de dois litros para fazer um quilo de tecido Pet. Ele custa, em média, R$ 5 mais caro que os tradicionais.
A linha Pet já é responsável por 15% da produção da fábrica. São 300 bolsas e 2,5 mil pares de calçado por mês. A empresa trabalha com margem de lucro reduzida para baixar o preço de venda e popularizar o produto.
“Não é só o interesse do lucro, eu estou apostando na consciência ecológica, em despertar isso para os meus clientes, eu estou apostando no diferencial da história”, afirma a empresária Rita.
O Sebrae conseguiu um financiamento bancário para a compra de 12 máquinas. A mudança aumentou a produção. Para incentivar a criação de novos modelos, o Sebrae coloca estilistas nas indústrias de moda do Rio de Janeiro. A ação faz parte de uma estratégia para ganhar o mercado externo.
“Os chineses fazem em grande escala. Então a única maneira da gente derrotar é mostrando produtos com design, produtos dentro de tendências, cores diferentes, usando a criatividade brasileira”, comenta Andréia Lopes, consultora do Sebrae do Rio de Janeiro.
A linha Pet começa a entrar na moda. Uma loja de Ipanema encomendou 70 pares de calçados.
“O conforto é comum como se eu estivesse utilizando mesmo um couro. É mais pelo apelo mesmo. Pegar a moda e trazer para uma responsabilidade social mesmo”, explica o lojista Rodrigo Barros de Souza.
“Para cada cliente que eu mostro eu tento passar esse conceito, essa idéia de quanto é importante a gente reciclar, tirar todo o lixo da natureza, para amanhã a gente ter um mundo melhor”, diz Rita Simpson.

Nenhum comentário: